Amigos de Arruda comandarão comissão impeachment
Os aliados do governador José Roberto Arruda (sem partido) comandarão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), assim como a presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A comissão será responsável por analisar os três pedidos de impeachment do governador, acusado pela Polícia Federal de ser o líder de um suposto esquema de desvio de verbas públicas e compra de apoio político no DF.
O presidente da comissão será Geraldo Naves (DEM) e o vice, Cristiano Araújo (PTB). A relatoria ficou com o líder do governo, deputado Batista das Cooperativas (PRP), que terá até 30 dias úteis, contando com prorrogações, para entregar o relatório.
Em janeiro, o juiz Vinícius Silva, da 7ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal, declarou inválida a composição da CCJ porque a deputada Eurides Brito (PMDB), suspeita de participar do esquema, era membro da comissão. Em vídeo, a parlamentar aparece colocando na bolsa maços de dinheiro que recebera do ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal Durval Barbosa, autor das denúncias contra o governador e deputados.
Na nova formação, Naves e Batista permaneceram na mesma função. No lugar de Eurides, entrou o deputado Bispo Renato Andrade (PR). A maioria dos integrantes é da base governista, como na composição da comissão anterior. Depois da CCJ, os processos passarão por uma Comissão Especial.
Presidência da Câmara
O primeiro do ato novo presidente da Câmara, deputado Wilson Lima (PR), foi reunir a Mesa Diretora para discutir se a Casa recorre da decisão judicial que determinou a convocação de oito suplentes para participarem da análise dos pedidos de impeachment.
Antes de ser eleito, Lima já teria sinalizado a pretensão de recorrer da determinação da Justiça, que afastou os oito deputados titulares suspeitos de serem beneficiários do suposto esquema. Agora, como presidente, afirmou que tomará as decisões em conjunto com outros parlamentares
“Vou dividir o trabalho com a Mesa Diretora, porque eles ajudaram a construir a candidatura para que eu chegasse hoje à presidência dessa Casa”, disse aos jornalistas, após assumir o cargo, em substituição a Leonardo Prudente (sem partido), que deixou o posto e é um dos suspeitos de envolvimento no suposto esquema.
Lima, que integra a base de apoio ao governador, evitou falar que é um aliado do governador. Ao ser questionado se é a favor dos pedidos de impeachment, o novo presidente limitou-se a dizer que vai conduzir os trabalhos da Casa com “imparcialidade” e “transparência”.
“A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) vai analisar [os pedidos de impeachment]. A decisão que tomarem, vou acatar”, afirmou à imprensa.
